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Na cozinha de Renata Albuquerque, a mesa ficava a 70 centímetros da bancada, e a porta do forno, aberta, avança 55 centímetros. Sobram 15 centímetros entre a borda da porta e a mesa, menos que a largura de um pé calçado.
A porta de forno de embutir abre para baixo e para fora, como uma tampa. Aberta até o fim, ela vira uma prateleira horizontal na altura do joelho, e quem cozinha precisa ficar de pé ao lado dela, nunca na frente.
Para tirar uma travessa, o corpo faz três movimentos: abaixa, puxa a grade para fora e gira para levar a peça até a bancada ou a pia. Os três pedem piso livre ao lado e atrás da porta aberta, e não só o espaço que ela ocupa.
O que a medida de corredor diz
A National Kitchen & Bath Association (Associação Nacional de Cozinha e Banheiro, dos Estados Unidos), no livro Kitchen Planning (Planejamento de Cozinha), de 2013, recomenda pelo menos 1,05 metro de corredor de trabalho para uma pessoa cozinhando. Com duas pessoas circulando, a recomendação sobe para 1,20 metro.
Na cozinha de Renata, o corredor de trabalho tinha 70 centímetros com a mesa solta. Faltavam 35 para chegar ao mínimo da associação, e a falta caía inteira no ponto mais quente da cozinha.
A mesa solta ocupa duas vezes
Uma mesa no meio do piso ocupa o tampo e mais uma faixa de cada lado para as cadeiras. A mesa de Renata tem 70 centímetros de profundidade, e a cadeira encostada na parede pedia mais 35 de recuo. Somados aos 70 do corredor, chega-se aos 1,75 metro de piso livre que existem entre a bancada e a parede.
A cadeira de Diego, a de costas para o forno, era a mais cara para a cozinha. Com alguém sentado, o encosto avança uns 20 centímetros para trás, e os 15 que sobravam diante da porta aberta desapareciam por completo.
O calor que sai pela porta
Quando a porta abaixa, o ar quente sobe pela frente do forno, direto no rosto de quem se inclina. Com espaço, a pessoa dá um passo para trás e espera o primeiro bafo passar. Sem espaço, ela fica inclinada sobre a porta aberta, com o braço estendido por cima do vidro quente.
Na cozinha de Renata, o passo para trás batia na cadeira. Por esse caminho o molho escorreu: a travessa saiu inclinada porque o corpo não tinha onde recuar.
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