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Na sala de Marcela Prado, a borda da cúpula ficava a 1,10 metro do tampo, e os olhos de Tiago, sentado, ficavam a 45 centímetros do tampo. A lâmpada pairava a 65 centímetros acima da linha do olhar dele, inteira à vista.
Uma cúpula aberta para baixo solta a luz em forma de cone. Perto da boca, o cone é estreito; à medida que desce, ele abre, como o facho de uma lanterna apontada para o chão.
Quem está dentro do cone enxerga a lâmpada. Quem está fora dele enxerga só a parte de fora da cúpula, escura e sem brilho. A altura do pendente decide de que lado do cone ficam os olhos de quem janta.
Os olhos que ficam dentro do facho
Pendurada a 1,10 metro, a cúpula de Marcela tinha espaço para o cone abrir antes de chegar à altura das cabeças. Na linha dos olhos, o facho já era largo o bastante para alcançar as cadeiras dos dois lados da mesa.
Por esse desenho, Tiago via o fundo da cúpula e o bulbo aceso a cada vez que erguia o rosto. O olho, que se ajusta à parte mais clara da cena, fechava a pupila para a lâmpada, e o rosto de Marcela, logo abaixo, escurecia.
A luz que chega fraca ao prato
A luz perde força com a distância numa conta exata. O astrônomo alemão Johannes Kepler descreveu a regra em 1604, no livro Ad Vitellionem Paralipomena (Suplemento a Vitélio): a iluminação cai com o quadrado da distância até a fonte, a chamada lei do inverso do quadrado.
Na mesa de Marcela, a conta fica assim: a 1,10 metro, o prato recebe pouco mais da metade da luz que receberia a 80 centímetros. Com a mesma lâmpada e o mesmo fio, quase o dobro de claridade estava ficando no meio do caminho.
A sala clara e a mesa apagada
A luz que não chega ao prato não desaparece. Ela abre para os lados, bate nas paredes claras e volta difusa para a sala inteira, sem sombra e sem contraste.
O risoto perdia a cor porque a luz chegava ao arroz de longe e de lado, achatada. A comida pede luz próxima e de cima, que desenha o volume do grão, faz a taça de vinho brilhar e deixa o resto da sala num tom mais baixo.
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