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O voil que segura o sol das 16h no quarto
Voil e cortina pesada no mesmo varão, cada um com suas argolas: a tarde do oeste filtrada e a manhã com o quarto claro.
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Voil fechado, cortina pesada nas pontas
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Terça-feira, 16 horas, um quarto de 3 por 3,4 metros num apartamento de Goiânia com a única janela voltada para o oeste. Renata Alves chega do trabalho mais cedo e encontra a luz batendo reta na cama, o lençol morno ao toque e o reflexo da tela do notebook impossível de ler.
A cortina que veio com o apartamento é uma só, de tecido grosso cor de areia. Fechada, ela segura o sol e o calor, mas o quarto vira noite às quatro da tarde. Aberta, a luz entra sem filtro e ofusca quem está sentado de frente para a janela.
Durante semanas, a solução de Renata foi fechar a cortina pela metade. Metade do quarto ficava escura, a outra metade continuava quente, e a faixa de sol que passava pelo vão caía exatamente no travesseiro.
De manhã, o problema era outro. Às 10 horas o sol ainda está no lado leste do prédio, e a janela do oeste recebe só luz indireta, branda e uniforme. Era a melhor hora do quarto, e a cortina pesada, esquecida fechada desde a véspera, escondia essa luz toda.
Uma vizinha do andar de baixo, com a janela na mesma fachada, tinha resolvido a tarde com um tecido fino e claro pendurado junto da cortina grossa, na mesma barra. Às 16 horas ela fechava só o tecido fino. O quarto ficava claro, a luz chegava espalhada e o calor no lençol diminuía.
Renata comprou 2 painéis de voil branco e um pacote de argolas. Gastou uma tarde de sábado na montagem e não precisou furar a parede nem trocar a barra que já existia.
A seção a seguir mostra o que a luz do oeste faz num quarto ao longo do dia e por que uma única cortina não dá conta das duas horas que importam.
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I O Ambiente de Hoje
O quarto que esquenta às 4 da tarde
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Uma janela voltada para o oeste recebe pouca luz direta de manhã e muita luz direta à tarde. O sol nasce a leste, sobe pelo céu e desce a oeste. Até perto do meio-dia, a fachada oeste fica na sombra do próprio prédio e só recebe a claridade do céu.
Luz do céu sem sol direto é o que fotógrafos chamam de luz difusa (a que chega espalhada, sem sombra dura). Ela ilumina o quarto inteiro por igual, sem ofuscar ninguém. É por esse tipo de luz que as manhãs num quarto do oeste costumam ser as mais agradáveis do dia.
Depois do meio-dia, o sol cruza para o lado da janela. A partir das 15 horas ele já está baixo no horizonte, e quanto mais baixo, mais fundo o raio entra no quarto. Às 16 horas a luz atravessa o vidro quase na horizontal e alcança a cama, a cômoda e a parede oposta.
Por que a tarde esquenta mais que a manhã
O calor da tarde do oeste soma 2 efeitos. O primeiro é o ângulo baixo: o raio entra fundo e aquece o colchão, o piso e os móveis, que guardam esse calor por horas. O segundo é o horário: às 16 horas o ar de fora já passou o dia esquentando, e o quarto não tem para onde mandar o calor que recebe.
A manhã do leste também traz sol baixo, mas ele chega quando o ar ainda está fresco da noite. Assim, dois quartos com a mesma janela e a mesma área podem ter temperaturas tão diferentes ao cair da tarde, conforme o lado da fachada.
O ofuscamento é a outra metade da tarde. Com o sol na altura dos olhos, qualquer superfície clara ou brilhante reflete a luz direto para quem está no quarto: a tela do celular, o espelho do guarda-roupa, o tampo envernizado da mesa de cabeceira.
O limite de uma cortina só
Uma cortina pesada resolve a tarde pelo bloqueio. Ela corta o raio, segura parte do calor e acaba com o ofuscamento, mas leva junto toda a claridade. Quem quer ler, dobrar roupa ou trabalhar no quarto às 16 horas precisa acender a luz em plena tarde.
Aberta, a pesada devolve a luz da manhã, mas deixa a tarde sem defesa. Ela tem 2 posições úteis, e o quarto do oeste pede uma terceira, que filtre sem escurecer. Uma segunda camada de tecido, mais fina, ocupa esse lugar sem precisar de obra.
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II A Ordem que Resolve
Duas camadas e a ordem de fechar
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A ordem é esta: de manhã, as duas camadas abertas; às 16 horas, só o voil fechado; à noite, a cortina pesada por cima.
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Voil é o tecido fino e translúcido de poliéster ou algodão que deixa passar a luz e segura a vista de quem está fora. Ele não bloqueia o sol. O trabalho dele é espalhar o raio direto em mil pontos de luz, e o efeito no quarto lembra o de um dia nublado claro.
A cortina pesada continua no lugar, presa no varão que já existe, cada camada com o seu jogo de argolas. O voil fica no trecho mais perto do vidro, e a pesada fica para dentro, do lado do quarto. Durante o dia, a pesada fica recolhida nas pontas, ocupando pouco mais de um palmo de cada lado da janela.
O que cada camada faz em cada hora
Às 10 horas, com a luz difusa do céu, as duas camadas ficam abertas. O voil também fica recolhido, porque essa luz já chega branda e não precisa de filtro. O quarto recebe a claridade inteira da manhã.
Às 16 horas, o voil corre sobre a janela. O raio que batia reto na cama atravessa o tecido e se espalha pelo quarto. A luz continua suficiente para ler sem lâmpada, o reflexo na tela some e o colchão para de receber o sol direto.
À noite, a pesada fecha por cima do voil. Ela garante a privacidade com a luz acesa, quando o voil sozinho deixaria a silhueta de quem está no quarto visível da rua, e escurece o ambiente para dormir.
Por que o voil fica perto do vidro
O voil perto do vidro é a camada que trabalha mais vezes ao dia e precisa correr livre sem esbarrar na pesada. Com a pesada recolhida nas pontas, o voil desliza pelo centro do varão sem atrito.
A segunda razão é o calor. Um tecido junto do vidro intercepta o raio antes que ele chegue aos móveis. O ar quente fica preso no espaço estreito entre o tecido e a janela, e o quarto recebe menos desse calor do que receberia com o sol direto na cama.
O arquiteto Louis Kahn, que projetou o Instituto Salk na Califórnia, tratava a luz natural como o material mais importante de qualquer ambiente.
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“Uma sala não é uma sala sem luz natural.”
Louis Kahn, The Room, the Street and Human Agreement (A Sala, a Rua e o Acordo Humano), 1971
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O voil deixa a tarde do oeste do lado da frase de Kahn: o quarto continua iluminado pela janela às 16 horas, só que com uma luz que não ofusca nem esquenta a cama.
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